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Confusão na Busca Espiritual (III)

(continuação do texto "Confusão na Busca Espiritual II")

Voltando à confusão prática e o problema: em cada situação que se apresente, o que se faz? A resposta é extraordinariamente simples: Faça tudo o que você pensa que deveria fazer, independente das conseqüências, sobre as quais você não tem qualquer controle que seja. Tudo o que acontece – e as conseqüências – estaria sem dúvida nenhuma de acordo com a Lei Cósmica. Nenhuma confusão, nenhum problema.

Quando o primeiro princípio de não-ser-aquele-que-faz no mundo da dualidade torna-se intelectualmente aceitável – que todas as ações são acontecimentos baseados na vontade de Deus–Lei Cósmica e não o fazer de qualquer aquele-que-faz individual – surge alguma confusão, alguma dificuldade no viver diário. É o ego, com a sensação de ser-aquele-que-faz pessoal ainda muito presente, que tem que encarar esta confusão, este problema que parece muito real de fato: Eu gosto muito do conceito de não-ser-aquele-que-faz, pois eu não tenho mais que aceitar a responsabilidade tanto pela ação como pelas conseqüências; porém a sociedade onde eu tenho que viver ainda me responsabiliza pelo que considera como minha ação.

A resposta para esta confusão é extraordinariamente simples: Deixe o ego, com a sensação de ser-aquele-que-faz pessoal, fazer tudo que ele pensa que ele deveria fazer. Não há nenhuma confusão nem nenhum problema quando lembramos o fato básico – e a experiência pessoal de todos – que ninguém tem nenhum controle tanto sobre o acontecimento atual (seja qual for a decisão) e tanto sobre as conseqüências. Ambos o acontecimento atual e as conseqüências, seja quem possa afetar, seriam obviamente de acordo com a vontade de Deus-Lei Cósmica, e tem de ser aceitos como tal. Todos os afetados serão afetados estritamente de acordo com seus próprios destinos, dependendo da vontade de Deus-Lei Cósmica. Não há realmente nenhuma confusão mesmo. Simplesmente tem que se aceitar o veredicto da sociedade sobre a ação e as conseqüências.

A confusão realmente está relacionada ao conceito de responsabilidade pela ação. Se eu ainda tenho que aceitar a responsabilidade pela minha ação perante a sociedade na qual eu vivo, onde está a grande coisa sobre a aceitação de não-ser-aquele-que-faz? Qual é o verdadeiro beneficio que supostamente eu tenho aceitando totalmente que não há aquele-que-faz? A resposta é vital: a responsabilidade de alguém perante a sociedade não pode jamais ser removida, mas o que é removido totalmente é a mais insuportável responsabilidade consigo mesmo. A aceitação de não-ser-aquele-que-faz significa que eu não mais tenho mais que carregar a monumental carga de culpa e vergonha pela minha ação, e nem a carga de ódio e maldade, ciúme e inveja para qualquer “outro”.

Em outras palavras, uma vez que o ego fez uma minuciosa e honesta investigação em sua própria experiência pessoal, ele chegará à inequívoca conclusão de que cada uma das ações, que ele pensou serem “suas” ações, revelou-se pela investigação em ser meramente uma reação conseqüente a um acontecimento anterior sobre o qual ele não teve absolutamente nenhum controle. Logo, a simples ação de coçar o nariz revela-se, sob investigação, de ser a reação do cérebro a uma coceira sobre a qual ele não tem nenhum controle. Então o ego, que antes tinha uma enorme ansiedade de que a remoção da sensação de ser-aquele-que-faz pessoal poderia pôr em perigo a sua própria existência, é logo convencido de que não somente a sua existência como uma entidade separada continua sem entraves, mas que a sua vida diária tornou-se agora enormemente mais simples, com a carga de ser-aquele-que-faz pessoal removida: total ausência de qualquer culpa e vergonha pelas suas ações e do ódio e maldade, ciúme e inveja com relação a qualquer “outro”.

Ainda mais importante, o ego descobre agora que de maneira a ficar em direta harmonia com a unidade da Realidade, tudo o que ele tem que lembrar – e mesmo isto se tornou natural e espontâneo – é que há somente uma Realidade funcionando através de cada único organismo corpo-mente, enquanto o organismo corpo-mente como uma entidade separada continua a funcionar como uma parte essencial do Um Total. O provocativo filósofo persa Omar Khayyam descreveu a condição humana desta forma no Rubaiyat, nas seguintes palavras:

Nós não somos nada mais do que uma flecha em movimento

De visionárias Formas que vem e vão

Circulando com esta Lanterna Iluminada pelo Sol retida

Na Meia Noite pelo Mestre do Espetáculo;

 

Peças impotentes do jogo que ele joga

Sobre este tabuleiro de Noites e Dias;

Aqui e acolá movimenta, e checa e mata;

E um a um de volta ao quarto repousa.

Viver na realização de que tudo o que existe na fenomenalidade é o Um Infinito Universo – todas as definições e divisões, todas as confusões desapareceram – é viver ancorado na paz e tranqüilidade da Auto-realização.

(continua no próximo texto "Confusão na Busca Espiritual IV")

(do livro “Confusion No More”).

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